Pronunciamento em
Homenagem ao Magnífico Reitor Thompson Fernandes Mariz
Boa noite a Todos e Todas,
Agradeço de maneira profunda e sensível ao Prof. José
Cezário de Almeida pela oportunidade d’aqui representar o Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/UFCG nessa solenidade. Em
verdade, fui surpreendido pelo convite, portanto peço antecipadamente desculpas
se as ideias divagam ou se emaranho seu liame.
Agradeço ao Prof. Cezário pelo apoio incontinenti ao
PIBID, aliado de primeiríssima hora do projeto, tem colaborado com sua execução
em diversos e cruciais momentos. Entusiasta de nossas ações, tem contribuído
para o crescimento e visibilidade do programa.
Aqui também temos a fortuna de encontrar três projetos
extremamente ativos: a riqueza e solidez metodológica do projeto de Ciências do
Prof. Rovilson, desde a primeira versão em 2008 foi esse desenho que formou a
espinha dorsal do PIBID, a matriz primeira sobre o qual construímos nossa identidade;
as muitas vozes da leitura e escrita do Prof. Wanderley se manifestam com uma
coordenação dialógica e com riquíssimo material humano, produzindo reflexões
importantes sobre o papel da universidade na formação de professores em
exercício; também temos aqui um recente projeto de pedagogia, coordenado pela
prof. Débia, com apenas 4 meses de ação não poderíamos esperar muitos
resultados, não fosse seu extraordinário dinamismo e empenho que rapidamente com
que formou uma equipe, iniciou ações competentes e criou tamanha comunicação
entre as diferentes instâncias universitárias que hoje é a principal
interlocutora do PIBID aqui em Cajazeiras, auxiliando a tarefa de organizar e
gerir as ações não apenas de seu projeto mas também de todos os projetos desse
centro.
Tendo aqui, junto a nós, o Prof. Vicemário Simões,
entusiasta – apoiador e confidente; Profa. Betânia que tanto me escutou,
tranquilizou e resolveu meus problemas; Prof. Rozenval, engajado na árdua
gestão conjunta desse projeto, sinto-me, portanto, em casa!
Atenção, foi por cuidado e não por displicência que não
citei nesse rol o Magnífico Reitor Thompson Mariz.
Senhores e Senhoras, estamos aqui reunidos em momento
de inauguração de obra, em momento de despedida sim, mas também de celebração.
A obra que se inaugura hoje é o trabalho de dez anos dessa Universidade e ao
admirá-la podemos conceder, ao menos um pouco, a Hubris, imaginar – apenas um pouco, a obra consagrada como Dante o
fez no Paraíso, ao lado de São Thomas de Aquino
Or ti riman, lettor,
sovra´l tuo banco,
Dietro pensando a
ciò che se preliba,
S´esser vuoi lieta
assai prima che stanco.
Messo t´ho innanzi:
omai per te ti ciba;
Ché a sé torce
tutta la mia cura
Quella matéria
ond´io son fato scriba.
(DANTE, PARAISO X
22-27)
Essa “matéria” cuja atenção nos prende é a Universidade
Federal de Campina Grande, completados seus 10 anos parece apenas uma criança.
A primeira Universidade moderna, encravada na cidadela
murada de Bologna foi fundada em 1088! Falta-nos tradição, por óbvio, e
portanto, maior é a nossa responsabilidade, posto que não temos um passado para
honrar, mas um futuro por fazer!
Nesses dez anos tivemos a condução do Reitor Thompson
Mariz, condução é o termo corretíssimo, associado tanto à origem latina da
palavra RECTOR, como de seu congênere anglo-saxão DEAN, que remonta ao latin
DECANUS via o grego DEKA. Ambas palavras tem conotação militar, refletidas na
combatividade de nosso Reitor.
Nas universidades americanas existe a figura do president, com origem no latim praesidere, prefixação do verbo sedere, sentar-se, portanto, à frente.
Esse nunca foi nosso reitor!
Dirijo-me
agora a você, meu prezado Thompson, que em momentos difíceis deve ter pensado
Um
pouco mais de sol - eu era brasa,
Um
pouco mais de azul - eu era além.
Para
atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mas não permaneceu aquém,
em momentos ainda deve ter pensado:
Quase o amor, quase o triunfo e a
chama,
Quase o Princípio e o Fim – quase a
expansão...
Contudo a expansão foi consumada em sua maior parte.
Muitas foram as críticas, eu mesmo fui contra o REUNI, não de maneira
programática, mas porque achava necessário que os Reitores e a ANDIFES em
particular não se curvassem simplesmente as demandas do MEC, que fazia ali um
arremedo de reforma universitária por decreto. Pois foi precisamente isso que
fez nosso reitor, consciente das mudanças do tempo e da arte da política.
Em 1965, retomando seus escritos da década de 20 Karl
Jaspers escreve:
A missão eterna da
Universidade é ser o lugar onde, por concessão do Estado e da Sociedade de uma
determinada época, se pode cultivar a mais lúcida consciência sobre si própria.
Os seus membros congregam-se nela com o único objetivo de procurar a verdade,
incondicionalmente e apenas por amor a verdade.
Esse modelo idealista alemão foi adotado pelo Brasil
como modelo de Universidade. A sociedade contemporânea colocou muitas outras
questões a Universidade e a própria conceituação do que seja A VERDADE
repercute nos preceitos morais que a definem e são esses cambiantes no tempo.
Presidente da Universidade da Califórnia de 58 a 67,
Clark Kerr foi aguerrido e controverso, escreveu seu livro Para que serve a
Universidade, prefaciado no Brasil pelo ex-reitor da UnB Lauro Morhy, discutia
o conceito de multiversidade – expondo, a despeito de alguns aspectos demasiado
mercantilistas, o papel da tríade Ensino-Pesquisa-Extensão. E alertava:
A
universidade é tantas coisas para pessoas tão diversas, que não pode deixar de
estar parcialmente em conflito consigo mesma. A universidade tem vários alunos,
vários perfis, vários objetivos, várias comunidades e várias clientelas, o que
a leva a uma guerra consigo mesma.
Tenho certeza que o professor Thompson concorda com
esses aspectos e travou uma guerra por uma verdade que era a inclusão social e
qualificação profissional da sociedade.
Lembro agora depoimento de Anísio Teixeira na CPI em
1968
Daí, dizer eu que a
expansão do ensino superior é a consolidação do subdesenvolvimento da
Universidade. Sua expansão, longe de ser uma reforma, é a consolidação do
estabelecido. Torna muito mais difícil a reforma
Teixeira advogava um modelo de universidade mais
inclusiva, não estritamente baseada do modelo Humboltiano. E é precisamente
essa a Universidade com que nos deparamos... existe a excelência de pesquisa
natural, Wissenschaft, tão bem representada pelos nossos cursos tecnológicos
mas não esquecemos também de aspectos importantes para um país em
desenvolvimento como o nosso, cuidando dos aspectos de assistência estudantil e
principalmente, como o Prof. Márcio Caniello vem demonstrando, com o resgate da
vocação da UFCG para a formação docente, extraordinariamente representada pela
excelente conceituação de nossos cursos de licenciatura nas avaliações
nacionais.
A UFCG concedeu o primeiro título de Doutor Honoris
Causa a meu ex-vizinho em Brasília. Prof. Lynaldo Cavalcante atuava na ABIPTI
na época em que eu morava em um pequeno kitnet na 109 norte. Lynaldo está na
história da UFPB, da UFCG e das agências de fomento e escreve em seu relatório
de gestão:
Durante toda a
gestão, não tivemos a pretensão de chegar a um modelo pronto e acabado de
universidade, sabíamos da necessidade de se gerar um projeto, uma ideia mater,
um ponto de referência pelo qual as diversas ações individuais e de grupos
pudessem balizar-se.
Foi a esse projeto que Prof. Thompson aderiu e deu uma
nova expressão, conforme as necessidade educacionais de nosso estado e agora,
independentemente da vontade de seus apoiadores ou de seus poucos detratores,
temos a certeza de que o seu nome está definitivamente gravado na história
dessa universidade.
Das conversas que tivemos, das sensações com que
percebo seu carinho dedicado com a universidade, lembro de poema de Dylan
Thomas, na tradução de Mário Faustino
Se em meu ofício,
ou arte severa,
Vou labutando, na
quietude
Da noite, enquanto,
à luz cantante
De encapelada lua
jazem
Tantos amantes que
entre os braços
As próprias dores
vão estreitando
Não é por pão, nem
por ambição,
Nem para em palcos
de marfim
Pavonear-me,
trocando encantos,
Mas pelo simples
salário pago
Pelo secreto
coração deles.
Já tive a oportunidade de me apresentar para 4
premiados com o Nobel de Física, recebi um prêmio das mãos de um homem que dava
nome ao objeto de minha tese de doutorado e obviamente meu peito apertou nesses
momentos, esse inevitável sentimento de angústia na proximidade de pessoas que
faziam a história.
Sinto o mesmo aperto agora de uma forma diferente,
todos eles – imersos pelo brilho da ciência – pairavam acima de julgamentos.
Meu querido Thompson, não podes esperar essa complacência, portanto prepara-te.
Haverá momentos em que sentirás que te faltaram a
justiça. Todos já sentimos isso e numa dessas vezes agi segundo minha natureza,
senti dor e refleti na essência mesma da justiça, transmutei o sentimento em
intelecto e racionalizei a emoção em verso
Final de tarde lento, vigiando o
umbuzeiro,
Pilar robusto e prisco, árvore sagrada!
Yggdrasil, ragnarok, justiça armada,
Cega, fêmea, branda ou de justiçeiro?
Atena, Semnai Theai, mui venerada
Mulher sobretudo, antes de justa!
Sua vaidade punindo Tirésias me assusta,
Faz refletir além de píndaro - errada
Imagem nossa, esqueçemos que ela
Não se cega totalmente, domina
As Fúrias, absolve orestes, destinos sela
Por capricho. Pensamos apenas que zela
Enquanto apenas na hecatombe Culmina.
E não balança o pé de umbuzeiro!
Pilar robusto e prisco, árvore sagrada!
Yggdrasil, ragnarok, justiça armada,
Cega, fêmea, branda ou de justiçeiro?
Atena, Semnai Theai, mui venerada
Mulher sobretudo, antes de justa!
Sua vaidade punindo Tirésias me assusta,
Faz refletir além de píndaro - errada
Imagem nossa, esqueçemos que ela
Não se cega totalmente, domina
As Fúrias, absolve orestes, destinos sela
Por capricho. Pensamos apenas que zela
Enquanto apenas na hecatombe Culmina.
E não balança o pé de umbuzeiro!
Nesse
umbuzeiro se sustenta a UFCG. Meus parabéns Thompson, por essa obra, parabéns a
todos vocês, a todos nós, comunidade do CFP e da UFCG.
Boa
Noite.
Luciano
Barosi de Lemos
Coordenador
Institucional PIBID/UFCG
20
de Dezembro de 2012
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