sexta-feira, 1 de março de 2013

Homenagem a Thompson Mariz


Pronunciamento em Homenagem ao Magnífico Reitor Thompson Fernandes Mariz

Boa noite a Todos e Todas,

Agradeço de maneira profunda e sensível ao Prof. José Cezário de Almeida pela oportunidade d’aqui representar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/UFCG nessa solenidade. Em verdade, fui surpreendido pelo convite, portanto peço antecipadamente desculpas se as ideias divagam ou se emaranho seu liame.
Agradeço ao Prof. Cezário pelo apoio incontinenti ao PIBID, aliado de primeiríssima hora do projeto, tem colaborado com sua execução em diversos e cruciais momentos. Entusiasta de nossas ações, tem contribuído para o crescimento e visibilidade do programa.
Aqui também temos a fortuna de encontrar três projetos extremamente ativos: a riqueza e solidez metodológica do projeto de Ciências do Prof. Rovilson, desde a primeira versão em 2008 foi esse desenho que formou a espinha dorsal do PIBID, a matriz primeira sobre o qual construímos nossa identidade; as muitas vozes da leitura e escrita do Prof. Wanderley se manifestam com uma coordenação dialógica e com riquíssimo material humano, produzindo reflexões importantes sobre o papel da universidade na formação de professores em exercício; também temos aqui um recente projeto de pedagogia, coordenado pela prof. Débia, com apenas 4 meses de ação não poderíamos esperar muitos resultados, não fosse seu extraordinário dinamismo e empenho que rapidamente com que formou uma equipe, iniciou ações competentes e criou tamanha comunicação entre as diferentes instâncias universitárias que hoje é a principal interlocutora do PIBID aqui em Cajazeiras, auxiliando a tarefa de organizar e gerir as ações não apenas de seu projeto mas também de todos os projetos desse centro.
Tendo aqui, junto a nós, o Prof. Vicemário Simões, entusiasta – apoiador e confidente; Profa. Betânia que tanto me escutou, tranquilizou e resolveu meus problemas; Prof. Rozenval, engajado na árdua gestão conjunta desse projeto, sinto-me, portanto, em casa!
Atenção, foi por cuidado e não por displicência que não citei nesse rol o Magnífico Reitor Thompson Mariz.
Senhores e Senhoras, estamos aqui reunidos em momento de inauguração de obra, em momento de despedida sim, mas também de celebração. A obra que se inaugura hoje é o trabalho de dez anos dessa Universidade e ao admirá-la podemos conceder, ao menos um pouco, a Hubris, imaginar – apenas um pouco, a obra consagrada como Dante o fez no Paraíso, ao lado de São Thomas de Aquino
Or ti riman, lettor, sovra´l tuo banco,
Dietro pensando a ciò che se preliba,
S´esser vuoi lieta assai prima che stanco.

Messo t´ho innanzi: omai per te ti ciba;
Ché a sé torce tutta la mia cura
Quella matéria ond´io son fato scriba.
(DANTE, PARAISO X 22-27)

Essa “matéria” cuja atenção nos prende é a Universidade Federal de Campina Grande, completados seus 10 anos parece apenas uma criança.
A primeira Universidade moderna, encravada na cidadela murada de Bologna foi fundada em 1088! Falta-nos tradição, por óbvio, e portanto, maior é a nossa responsabilidade, posto que não temos um passado para honrar, mas um futuro por fazer!
Nesses dez anos tivemos a condução do Reitor Thompson Mariz, condução é o termo corretíssimo, associado tanto à origem latina da palavra RECTOR, como de seu congênere anglo-saxão DEAN, que remonta ao latin DECANUS via o grego DEKA. Ambas palavras tem conotação militar, refletidas na combatividade de nosso Reitor.
Nas universidades americanas existe a figura do president, com origem no latim praesidere, prefixação do verbo sedere, sentar-se, portanto, à frente. Esse nunca foi nosso reitor!
Dirijo-me agora a você, meu prezado Thompson, que em momentos difíceis deve ter pensado

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
         Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mas não permaneceu aquém, em momentos ainda deve ter pensado:
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o Princípio e o Fim – quase a expansão...

Contudo a expansão foi consumada em sua maior parte. Muitas foram as críticas, eu mesmo fui contra o REUNI, não de maneira programática, mas porque achava necessário que os Reitores e a ANDIFES em particular não se curvassem simplesmente as demandas do MEC, que fazia ali um arremedo de reforma universitária por decreto. Pois foi precisamente isso que fez nosso reitor, consciente das mudanças do tempo e da arte da política.
Em 1965, retomando seus escritos da década de 20 Karl Jaspers escreve:
A missão eterna da Universidade é ser o lugar onde, por concessão do Estado e da Sociedade de uma determinada época, se pode cultivar a mais lúcida consciência sobre si própria. Os seus membros congregam-se nela com o único objetivo de procurar a verdade, incondicionalmente e apenas por amor a verdade.
Esse modelo idealista alemão foi adotado pelo Brasil como modelo de Universidade. A sociedade contemporânea colocou muitas outras questões a Universidade e a própria conceituação do que seja A VERDADE repercute nos preceitos morais que a definem e são esses cambiantes no tempo.
Presidente da Universidade da Califórnia de 58 a 67, Clark Kerr foi aguerrido e controverso, escreveu seu livro Para que serve a Universidade, prefaciado no Brasil pelo ex-reitor da UnB Lauro Morhy, discutia o conceito de multiversidade – expondo, a despeito de alguns aspectos demasiado mercantilistas, o papel da tríade Ensino-Pesquisa-Extensão. E alertava:
A universidade é tantas coisas para pessoas tão diversas, que não pode deixar de estar parcialmente em conflito consigo mesma. A universidade tem vários alunos, vários perfis, vários objetivos, várias comunidades e várias clientelas, o que a leva a uma guerra consigo mesma.
Tenho certeza que o professor Thompson concorda com esses aspectos e travou uma guerra por uma verdade que era a inclusão social e qualificação profissional da sociedade.

Lembro agora depoimento de Anísio Teixeira na CPI em 1968
Daí, dizer eu que a expansão do ensino superior é a consolidação do subdesenvolvimento da Universidade. Sua expansão, longe de ser uma reforma, é a consolidação do estabelecido. Torna muito mais difícil a reforma
Teixeira advogava um modelo de universidade mais inclusiva, não estritamente baseada do modelo Humboltiano. E é precisamente essa a Universidade com que nos deparamos... existe a excelência de pesquisa natural, Wissenschaft, tão bem representada pelos nossos cursos tecnológicos mas não esquecemos também de aspectos importantes para um país em desenvolvimento como o nosso, cuidando dos aspectos de assistência estudantil e principalmente, como o Prof. Márcio Caniello vem demonstrando, com o resgate da vocação da UFCG para a formação docente, extraordinariamente representada pela excelente conceituação de nossos cursos de licenciatura nas avaliações nacionais.
A UFCG concedeu o primeiro título de Doutor Honoris Causa a meu ex-vizinho em Brasília. Prof. Lynaldo Cavalcante atuava na ABIPTI na época em que eu morava em um pequeno kitnet na 109 norte. Lynaldo está na história da UFPB, da UFCG e das agências de fomento e escreve em seu relatório de gestão:
Durante toda a gestão, não tivemos a pretensão de chegar a um modelo pronto e acabado de universidade, sabíamos da necessidade de se gerar um projeto, uma ideia mater, um ponto de referência pelo qual as diversas ações individuais e de grupos pudessem balizar-se.
Foi a esse projeto que Prof. Thompson aderiu e deu uma nova expressão, conforme as necessidade educacionais de nosso estado e agora, independentemente da vontade de seus apoiadores ou de seus poucos detratores, temos a certeza de que o seu nome está definitivamente gravado na história dessa universidade.
Das conversas que tivemos, das sensações com que percebo seu carinho dedicado com a universidade, lembro de poema de Dylan Thomas, na tradução de Mário Faustino




Se em meu ofício, ou arte severa,
Vou labutando, na quietude
Da noite, enquanto, à luz cantante
De encapelada lua jazem
Tantos amantes que entre os braços
As próprias dores vão estreitando
Não é por pão, nem por ambição,
Nem para em palcos de marfim
Pavonear-me, trocando encantos,
Mas pelo simples salário pago
Pelo secreto coração deles.

Já tive a oportunidade de me apresentar para 4 premiados com o Nobel de Física, recebi um prêmio das mãos de um homem que dava nome ao objeto de minha tese de doutorado e obviamente meu peito apertou nesses momentos, esse inevitável sentimento de angústia na proximidade de pessoas que faziam a história.
Sinto o mesmo aperto agora de uma forma diferente, todos eles – imersos pelo brilho da ciência – pairavam acima de julgamentos. Meu querido Thompson, não podes esperar essa complacência, portanto prepara-te.
Haverá momentos em que sentirás que te faltaram a justiça. Todos já sentimos isso e numa dessas vezes agi segundo minha natureza, senti dor e refleti na essência mesma da justiça, transmutei o sentimento em intelecto e racionalizei a emoção em verso
Final de tarde lento, vigiando o umbuzeiro,
Pilar robusto e prisco, árvore sagrada!
Yggdrasil, ragnarok, justiça armada,
Cega, fêmea, branda ou de justiçeiro?

Atena, Semnai Theai, mui venerada
Mulher sobretudo, antes de justa!
Sua vaidade punindo Tirésias me assusta,
Faz refletir além de píndaro - errada
Imagem nossa, esqueçemos que ela
Não se cega totalmente, domina
As Fúrias, absolve orestes, destinos sela
Por capricho. Pensamos apenas que zela
Enquanto apenas na hecatombe Culmina.

E não balança o pé de umbuzeiro!

Nesse umbuzeiro se sustenta a UFCG. Meus parabéns Thompson, por essa obra, parabéns a todos vocês, a todos nós, comunidade do CFP e da UFCG.

Boa Noite.

Luciano Barosi de Lemos
Coordenador Institucional PIBID/UFCG
20 de Dezembro de 2012

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